sexta-feira, outubro 07, 2011

Nunca prometi qualidade, nem dei qualidade, nestas coisas soltas que escrevo aqui. O tema de hoje é:

Não tem tema.

To afim de jogar conversa fora. Vamos falar de algo sem nenhuma importância. Vamos falar do chulé. O que é? como surge? Como acabar com ele?

Chulé é algo que quase todos escondemos em nós. É uma vergonha cultivada a muito suor, sujeira e outras coisas que não damos importância. Não pode ser detectado debaixo de um belo sapato italiano, ou num tênis de marca. É como a hipocrisia. Não importa a classe social, nem o nível de escolaridade, o que interessa é que, sendo ou não uma pessoa boa, ou limpa, uma hora ou outra da vida ele sempre aparece. A minha proposta é que o assumamos. Arranquemos em público nossos sapatos e libertemos o que está preso. Podemos fazer uma analogia os pequenos defeitos que temos vergonhas.

Pensemos em nossos defeitos. Eles nos tornam únicos.

quinta-feira, outubro 06, 2011

Pra variar estava com a postagem pronta e era só colocar aqui. Mas a m$d# do meu pendrive deu pau por conta de um vírus. Contentem-se com o que for escrito nestes quinze minutos. Ou contente-se, porque aparentemente só o Luiz lê o que escrevo. Então seu Lúcifer, este texto é para você.

Outra característica marcante dessa vida universitária é a famosa RETA. Quantas coisas essa avenida tortuosa já não presenciou? Muita merda com certeza. Ela praticamente se configura como uma região onde realizamos o ritual de passagem para sermos inseridos na universidade, ou retornarmos à cidade.

Cada passo, cada respiração ofegante em meio ao sol do meio dia... estas sensações são indescritíveis pra quem não tem essa criação urbanística de peso. Ao entrarmos à esquerda temos a bela lagoa. Em dias de glória um belo espelho d´água, em dias de calor, uma lama verde, com uma catinga dos infernos. Mas este é um mal que atinge até as beldades que circulam pela área. Pensem nelas naqueles momentos críticos do mês onde o diabo corre de suas ofensas?

Gosto dos auges de felicidade. No verão... época de benesses para as almas tropicais. Geralmente quanto maior a temperatura, menores as vestimentas, maiores as alegrias no mundo da imaginação. Irritantemente apenas na imaginação.

Acabou o espediente... hora de ir pra casa. amanhã vejo se consigo o relato referente as flores do jardim da biblioteca. Não são flores... hehehehehe...

quarta-feira, outubro 05, 2011

O episódio da “FESTA DO CARBOIDRATO”

Era uma vez, numa galáxia muito muito distante... carboidrato

Duas garotas com vontade de realizar festas badaladas. Queriam que seus nomes fossem ligados aos movimentos de consumo de bebidas alcoólicas, curtição e outras adjacências mais. Como primeira empreitada pensaram: “Por que não cachorro quente?” Todo mundo gosta de cachorro quente. Eu gosto de cachorro quente. Mas nem sempre essa é uma boa escolha para a “agitação”. Chamaram várias pessoas. Lembro-me ainda hoje como uma delas rabiscou no verso de um texto o mapa de como chegar na casa das duas. Era ao final do balaustre – nem sabia o que diabos era esse tal de balaustre – em cima de um supermercado. Atravessei Viçosa esperando algum consumo exagerado de cerveja e, quem sabe algumas coisas mais que a vida universitária é capaz de oferecer.

Peço desculpas as pessoas que estavam presentes neste evento, mas não lembro da presença de quase ninguém. Acho que é porque uma meia dúzia de gatos pingados apareceu por lá. E a exitante programação era: cachorro quente. Quem diabos já na universidade inventa de fazer cachorro quente numa república e chamar isso de festa? A quantidade de pães e salsichas superava, e muito, as necessidades dos presentes. Havia uma disparidade grande entre a quantidade de homens e mulheres. As duas únicas representantes do sexo feminino eram as anfitriãs. O ambiente cheirava a cueca, loção pós-barba e carne processada e temperada excessivamente com sal. Ninguém ficou bêbado. E cada um dos presentes teve que consumir uma cota mínima de 5 pães com salsicha. Ainda hoje lembro do terror psicológico perpetrado pelas garotas. Ou comíamos, ou tínhamos a impressão de que a coisa ia ficar feia pro nosso lado. Tornou-se uma questão de honra para as duas que toda a obra culinária de qualidade duvidosa fosse consumida naquela noite. Toda conversa terminava com a mesma frase.

Nele mesmo esse acontecimento nem é tão fantástico. Agora, ao avançarmos no tempo, percebemos o quanto as coisas mudam. Depois desta, mais de uma dezena de vezes ocorreram reuniões na casa das duas beldades. Como todo mundo sabe, as coisas ocorreram de forma bem diferente. Compareci em quase todas as outras ocasiões. Lembro inclusive de um amigo me indagando o por que de ficar indo na casa “dessas meninas”. Hoje ele também é amigo delas.

Como estudantes de histórias acumulamos muitas memórias. Essa é uma das quais guardo com maior carinho. Foi a primeira vez depois de botar os pés em Viçosa que alguém me chamou para uma festa. Muito diferente do que possa parecer gostei da experiência. Qualquer coisa que acontecesse já seria novidade o bastante pra que eu não esquecesse.

terça-feira, outubro 04, 2011

Devido a pobreza e outras dificuldades de ordem processual (como morar com outros pobres) eu costumo escrever meus posts em casa e quando arranjo uma "internet camarada" em outro lugar realizo o recorta e cola do arquivo de texto. Hoje isso foi feito com calma, infelizmente a anta que vos fala não foi capaz de colocar no pendrive certo o arquivo e agora está tendo que escrever essa merda que vocês estão lendo.

Do que eu vou falar... Panelas alternativas!!!

Todo membro da panela, seja ele da masculina, da feminina [ou a Kênia] pertenceu a outras panelas durante o tempo em que permaneceu na UFV. Curiosamente estes grupos alternativos, vez ou outra, concorreram com relação ao tempo, a recursos financeiros, ou até mesmo a gastos emocionais. Talvez um dos mais dados a este tipo de "adultério" foi o Lucifer. O trabalho, e principalmente o teatro, foram sempre interessantíssimos meios de acesso a outros mundos. Não saberíamos por exemplo da "vivência exótica" entre Martielo e seus outros amigos.

Outros membros se destacaram pela criação de laços com mulheres feias, ou consumidoras de tarja preta. Bandido, "não vejo a hora dessa noite acabar"... dentre outras histórias tão bizarras quanto hilariantes. Ainda alguns outros se engajaram em atividades edificantes como as religiosas. Outras se envolveram apenas na bebedeira desenfreada, ouvindo musica de gosto duvidoso [gosto duvidoso foi apenas por educação]. Ainda teve aquele caso da pessoal que inclusive trocou de curso. Um excelente curso [IRONIA] para a formação de profissionais extremamente úteis para a sociedade.

No final das contas todos nós com o passar do tempo acabamos, por necessidade, de nos desvincular um pouco da panela para sobreviver longe dela. E os que foram embora mais cedo [eu] passaram por esse processo de maneira mais agressiva. Ainda assim o nosso comportamento é o resultado de nossas vivências. Vamos transpirar "panela" até os fins de nossos dias, mesmo que esta transpiração não resulte em odores agradáveis para os outros.

segunda-feira, outubro 03, 2011

De repente um cartaz de uma tal de UFV na agência dos Correios...

Outros querendo transferir pra outros cursos...

Músicos frustrados, técnico em telecomunicações...

Outros terminando o segundo grau e tendo certeza do que fazer...

Eu por exemplo só queria passar no vestibular antes do meu irmão mais novo.

Como o acaso, e só o acaso, tornou este encontro possível, ele também teve que dar conta de tornar as coisas viáveis.

E tornou...

Essa bagunça às vezes causou um certo reboliço. As opiniões entraram em conflito uma série de vezes. E o caminho quase sempre foi o diálogo. Conversas, discussões, brigas e diversas outras confusões...

Mas assim são as amizades, ou as convivências convenientes, ou ainda os alvos preferenciais, e até mesmo aquilo que podemos chamar de cobaias da nossa eterna experiência social rumo à sobrevivência.

Somos os mesmos, apesar das novas carapaças que o tempo nos forçou a criar.

domingo, outubro 02, 2011

Academia, teatro e muita hipocrisia

Vamos aos fatos, aliás, somos “historiadores”. Nos achamos pessoas importantes por isso. Vamos a uma análise que é pretensamente metódica, aparentemente científica e esteticamente confiante.

Posso falar muito pouco das pesquisas em outras áreas, mas acho que dar pitaco sobre a área de humanas não é um contrassenso. Além do mais pouco me importa o que digam a respeito de eu não ter capacidade, ou autoridade para isso. Se ficar insatisfeito com o que lerá nas próximas linhas reclame com Deus, com a mamãe, ou com a vovozinha que te criou esse frango de granja.

O processo de trabalho científico ocorre da seguinte forma, percorrendo os 5 passos para a glorificação de uma respeitada pesquisa:

1 – Aproximação:
Você tem que se destacar. São variadas as formas de destaque. Destaquemos 3:
1 – Competência
Você é capaz de obter resultados seja pelos seus talentos, seja pelo seu esforço)
2 – Q. I.:
Você é capaz de obter resultados por meio de sua rede social. Alguém fala pra alguém que você é capaz.
3 – Puchassaquismo:
Você é incompetente e consegue se aproximar da fina nata da pesquisa por meio de elogios e servidão aparentemente despretensiosa. (disparadamente o mais utilizado)

2 – Servidão com segundas intenções:
Depois que você ascende aos níveis um pouco mais altos e já arrota caviar, ainda que coma 'mortadela', começa trabalhar de forma pouco sistemática, mas ainda sem remuneração. É um estágio de vivência. Sofrimento, falta de tempo e a mesma pindaíba de antes são as constantes, ou como mencionamos no post anterior “tradições” deste momento.

3 – Aculturação:
Agora você não só trabalha, mas faz parte de um grupo que pesquisa a mesma temática. Por questões de sobrevivência não só os textos que lê e as fontes são as mesmas, o seu comportamento também se modifica. Músicas, programas de televisão, bares... Num nível muito tênue um pouco de você é subjugado para que comportamentos alienígenas sejam adotados.

4 – Adoção da Facção:
É chegada então a fase mais agressiva de desenvolvimento. Agora o graduando recebe para trabalhar, bolsista. O Velho Barbudo erra, mas dá umas dentro de vez em quando. Você faz parte de uma facção. Um grupo sólido onde os indivíduos perdem sua individualidade. Você não é mais você. Agora há uma concorrência desleal entre o seu eu honesto e o seu eu pesquisador, ávido por muitas coisas, dentre elas realização profissional a quase qualquer custo. E esse seu novo eu, forjado nas experiências recentes, considera que o mundo deve perecer ante os outros. Os pesquisadores de outras temáticas, e inclusive seus amigos, os outros temas e fontes, os outros professores, enfim, toda sorte de outros não ligados diretamente a seu grupo não são vistos só como concorrentes, mas também como inimigos, ainda que não em atitude propriamente bélica.

5 – Exemplo:
O último estágio é atingido quando o sujeito já galgou todos os níveis anteriores. Cada degrau comporta uma quantidade menor de indivíduos e desta forma só alguns chegam alto o bastante para servirem de exemplo de transformação. Agora sua imagem funciona como a de um caminho a ser seguido. Outros miram em você. Aquele que um dia já foi diferente neste momento não passa de uma memória passada, que será reinventada para que a trajetória vencedora faça sentido.


Não encaro este processo como algo danoso. Praticamente todos as outras dinâmicas da vida ocorrem da mesma forma. Nem pensem que é tudo preto no branco como foi pintado. A realidade, na imensa maioria das vezes é cinza. Entender faz parte da experiência da vida.

sábado, outubro 01, 2011

A despeito de muita gente que desconfiava que meu compromisso em escrever todo o dia para o Blog da Panela começo o desafio das trinta e uma postagens.

Hoje falarei do que eu defino como “Momento Tangalargameninodesucrilhoscomtoddy”. É um estado de coisas que se preza a relembrar o passado que não volta mais. A vida universitária que passou. As festas, as bebedeiras antológicas, os vexames etílicos... Tudo isso são coisas que foram embora há muito tempo e não há o que se possa fazer para que retornem. As condições não são as mesmas. As pessoas não mudaram tanto, mas os contextos sim. As baladeiras se encontram em estado de pura dormência, submetidas a carapaças de namoradas. Os nerds se escondem hoje atrás de copos e mais copos de uma imagem rancorosa e litros de álcool. Alguns continuam não pagando as contas dos bares, outros encontraram a cara metade e vivem felizes, e todos se encontram felizes com as felicidades alheias. Afinal, apesar das escatológicas diferenças, apesar de todos os pesares, ainda somos amigos.

O “Momento Tangalargameninodesucrilhoscomtoddy” consiste em 5 passos que toda conversa fiada saudosista sobre momentos passados passa. Vamos a eles:

1 – Esquecimento das diferenças do presente.
Não interessa o que você pense sobre a pessoa que está na sua frente. Mau caráter é mau caráter, até que o passado comum seja relembrado.

2 – Imersão no passado que nunca existiu.
Idealização de uma coisa tosca que é a mistura do que aconteceu com aquilo que queríamos que tivesse acontecido. É mais ou menos um estado de Alice através do espelho misturado com algum efeito alucinógeno do álcool.

3 – Invenção de tradições.
Coisas que fazemos diversas vezes não se tratam de tradições. As vezes as ações se repetem por se tratar de atos necessários. Ainda assim, como forma de tornar a vida burocrática (não sabemos, mas gostamos de burocracia), enfatizamos que coisas chatas e recorrentes são tradições para que sobrevivamos a sua repetência. Sabe aquela coisa de todo dia que você sai com um 'amigo' seu vocês beberem a mesma cerveja barata? Isso não é uma tradição. É pobreza mesmo.

4 – Efeito “Aaaaaaaaaaaaaaaaaa!!! Eu lembro disso.”
Alguém lembra de alguma coisa. Algum acontecimento engraçado, um comportamento curioso de um conhecido, uma situação inconveniente... Coisas impactantes no momento que fazem as pessoas relembrar que um dia foram jovens vivendo em tempos que a barriga não bloqueava a imagem de seus órgão genitais [ou já faziam isso]. Aí quanto maior o nível alcoólico mais alto sai a expressão “Aaaaaaaaaaaaaaaaaa!!! Eu lembro disso.” Normal.

5 – Efeito “Vamos fazer isso mais vezes”
Não bastasse estarmos com menos tempo. Não bastasse grande parte de nós ter feito um monte de merda que ainda catinga. Insistimos em fazer esse “revival” de novo? Isso é amizade de gente velha. E vocês podem até não assumir, mas estão mais velhos. Bebem com mais moderação [ou menos dedicação], estão fora de forma [ou em formas roliças] e, acima de tudo, são as mesmas pessoas vivendo em contextos completamente diferentes.

Na história sabemos que os contextos podem modificar drasticamente a maneira como as pessoas agem. Esse post tosco não ocorreria se eu tivesse prometido fazer um por dia e o aborrecido do Lucifer estivesse me torrando a paciência nesse exato momento. Enfim, foi o que deu pra fritar altas horas da noite de um sábado que obviamente não está sendo grandes coisas.

domingo, julho 03, 2011

Para o Blog não ficar abandonado, fiz este fast post:

Dia que o Bolívar fez pão de queijo pra Panela, com direito a tradicional careta que identifica os membros (out. de 2007).



terça-feira, abril 12, 2011

Não posto, não posto, não posto…

Não posto mais aqui enquanto alguém, além de mim e do lucifer postar.

Se é pra não ser lido prefiro não o ser no meu blog: paulosantana.blogspot.com

quinta-feira, março 03, 2011

ATENÇÃO CAMBADA DE PUTOS QUE LÊ ESTE BLOG:
DEIXEM SEUS COMENTÁRIOS APÓS LER CADA POSTAGEM! NÃO SABEM QUE O QUE FAZ A ALEGRIA DE BLOGUEIRO SÃO OS FEEDBACKS?

AMAMOS VOCÊS.
ABRAÇOS

terça-feira, março 01, 2011

Algumas obras de arte são tão relevantes quanto a seu trato com a determinado assunto que são dignas de serem reescritas. Grandes filmes, grandes livros, sublimes histórias épicas… sempre que é possível alguém as reconta, resiginifica, reapropria de sentimentos e as torna novamente contemporâneas. Este é o verdadeiro valor dos clássicos: as suas atribuições universais e ao mesmo tempo mutantes.
Escrevo este texto após ter comemorado a formatura de um grande amigo. Mas também por saber que o período clássico da minha vida poderá ser retomado e de alguma forma reinterpretado por mim mesmo. Os grandes altores não tem esta perspectiva de carreira. Felizmente, por um balé caótico do destino, cuja colaboração da minha mente emesmada foi determinante, me pus no mesmo lugar que a alguns anos atrás fui capaz de me furtar precocimente. Eis que Viçosa, e as loucuras de Viçosa, outra vez dança pra mim como se fosse um prêmio de um caça níquel, que aliás nunca joguei, inesperado.
A história é outra. A história vai ser outra. Porque a imaturidade do passado não mais existe. E a vida ensina muita coisa aos sonsos de um copo de delírio. Não existe medida exata para uma mente que anseia por novas velhas aventuras, e nem existe um outro caminho. Só existe um caminho. Aquele que você descobre no meio da bagunça e é capaz de correr a longos passos sem que a vida o faça tropeçar além daquilo que lhe permite avançar, nem que seja um único milímetro.
E como uma piada cabe no meio desta chatice? Bem, as chatices sempre são exelentes momentos cômicos que dependem unica e exclusivamente do ponto de vista. O que dirá aquele cachorro que lambeu a cara de um “amigo meu” numa festa em Viçosa? Ou talvez os grandes amigos que uma amiga fez naquela mesma noite? Ou ainda aqueles “não” folclóricos que outro “amigo” levou em meio a ameaças de suicídio? Quem sabe o que o futuro reserva? O caminho intimista sempre deve ser traçado, com a busca pelo original que parte de dentro de você. Mas quem irá permitir que a originalidade salte de dentro de si e agrida o mundo que só pensa no pudor da vida dos hipócritas? Amigo, lembre de suas vontades, e esqueça as periféricas motivações alheias. O que conta é sempre a farofa, o satisfatório, a batata, a música mal cantanda, os amores vividos sobre os não vividos, a imoralidade dos ingênuos, e a Taça Guanabara!!!

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Meu melhor amigo vai se casar.

Confusão demais pra minha cabeça, ainda mais pra quem conhece as aventuras e desventuras amorosas deste cara. Não, eu não vou encarnar a Julia Roberts no filme "O casamento do Meu Melhor Amigo" e querer roubar o noivo. Até porque meu nível de boiolagem não permite. Mesmo assim, ele representa muito pra mim, e acho que tentar ordenar as idéias em um texto, pode me ajudar a entender melhor as coisas.

Tudo poderia ter começado de onde não começou. Reprovados no vestibular 2005 da UFJF, ficou reservado a nós um encontro em um cenário muito mais propício para a vida universitária: Viçosa e a UFV. Estavamos lá, dia 28 de fevereiro de 2005, dividindo a mesma sala de aula, a mesma tinta e mesmo trote. Durante as aulas, graças aos seus pitacos, era visto por mim como um cara interessado e dedicado ao curso. Rapidamente ficamos amigos. Logo veio a greve de 6 meses. Com a volta das aulas, começamos a descobrir nossas afinidades. O primeiro evento que fomos juntos foi o festival de cinema da UFV, em janeiro de 2006. Logo começaríamos a congregar novos camaradas. Começamos a andar com a Kênia, com o Paulo, com o Didi e com o João. Era o embrião da Panela, entidade que este blog congrega. Em julho, nosso primeiro evento acadêmico juntos: Anpuh em São João Del Rey. No ônibus, ouvindo Beatles, ele me perguntou: “porque não conheci isso antes cara?!” Começava ali uma grande parceria de troca musical. As 7 da manhã, tentando acordar no frio inverno sanjoanense (“O Gu, to com frio”), tirei uma foto dele roncando com a boca escancarada. Pela que ele apagou. Seria uma preciosidade essa foto nos dias de hoje. Em agosto, nossa primeira festa juntos na UFV: a inesquecível Flash Back, (preciosidade essa foto) e a primeira vez (das centenas de milhares) que vimos o Hocus Pocus tocar.

Rolaria ainda muitas festas bregas, muitas festas na vila e na minha casa, muitas mesas de bares. Isso etílicamente falando. Fora os trabalhos, seminários, congressos, jogos de futebol, vídeo-debates, show na UFV, RUs, e muitas, muitas confissões amorosas, familiares, panelísticas, futebolisticas, estudantis. 5 anos vividos tendo ele como um irmão, como a pessoa quem eu ouviria e falaria de tudo. E como sinto falta disso.

A mensagem mais antiga que tenho registrada no meu celular é do natal de 2008. O texto por ele escrito era o primeiro passo para o que vai se realizar em breve. Fui testemunha privilegiada do que aconteceu de maior na vida deste cara. E conhecer ele sem dúvida foi uma das maiores coisas que aconteceu na minha. Pra completar, enquanto esboçava este texto, fui convidado pra ser o padrinho do matrimônio. Ou seja, continuarei a ser testemunho da história, agora a nível ofícial. Emoção pra ser guardada pelo resto da vida.

Te amo meu irmão. Te desejo a maior felicidade do mundo, sempre. Obrigado por tudo.

sábado, janeiro 08, 2011

Speculum compositum Alice I

 

As historias começam em momentos aleatórios e prosseguem em dinâmicas lógicas quando dentro de nossas cabeças os processos são completamente diferentes. Vejam por exemplo suas lembranças de infância relativas a um tema específico. Pensemos no cinema. não o cinema enquanto local onde se vê filmes. Para além disso. Pense no motivo de sua presença nestas salas coletivas em que a sétima arte é exposta para pessoas de diversas origens e presentes estimulados por motivações diferentes.

Lembro primeiramente de um dos filmes que mais marcou minha Infância: Os Gonies. Estava eu e meu irmão, na sala de nossa avó, que também era meu quarto… Mas não era mais meu quarto. Larissa e Talita insistiam que o Léo não teve infância completa se não havia visto Os Gonies. Como meu precário quarto se torou uma reta de uma faculdade? Lá estava eu e uns amigos 15 anos depois discutindo um símbolo da tenra idade de muita gente. E nesta idade via filmes diferentes com companhias diferentes. Hamlet foi um mistério que degustei com Luiz Fernando e Gustavo num quarto apertado. O Mel Gibson não devia ter feito este filme. Em frente a um DVD no ano de 2004 não tinha muitas opções cinematográficas ao meu dispor. Horas e horas de trabalho árduo não foram recompensados com a aprovação no vestibular. Chutar o pau da barraca… Pelo menos por seis meses era isso que merecia. E o filme estrelado por Mel Gibson era o único de ação que a disposição de um balconista foi capaz de assistir. Franco Zefireli já foi mais brilhante e eu não fazia a menor ideia. O filme era podre aos meus olhos. Mas o que me diz de podre do pobre Ashton Kutcher. O pobre coitado fez duas coisas sábia na vida: Efeito Borboleta e casar-se Com a Demi More. E nas vésperas de iniciar a graduação em História apenas Jonathan [meu primo] e Diogo [irmão do meio] acompanharam-me numas das primeiras jornadas intelecto cinematográficas que fui capar de refletir sobre. É isso que universitários fazem: descobrem algo que gostam e transformam num raciocínio lógico. As coisas não podem mais ser prazerosas depois deste estagio intelectual. E minha sala [outra sala, outra casa, acho que a décima primeira do casamento de meus pais] não0 era mais minha. Estava cercado por amigos instantâneos. Felipe, Melissa, Yuri, Mônica, Elizandra, Josélia, Thuila… tudo gira e no meio do turbilhão a compreensão sobre o mesmo filme já não era a mesma. Cada fala, cada ato ou efeito visual era acompanhado de um comentário [verbalizado ou não] tendendo à pura historização da percepção das mudanças de tempo. Porque voltando à infância, os desenhos sempre foram meus fiéis companheiros. E sozinho, aqui no meu quarto confortável, mas sem muito luxo ou organização, na capital percebi que a imagem que criamos de nós mesmos e dos outros é que são as tais Representações do Chartier. Obrigado Evangellion. Agels e EVAs não significam muita coisa pra muita gente que ignora um dos melhores roteiros já escritos. E o que sou eu senão a combinação de minhas vivências. Porque  o Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças não é apenas uma comédia romântica. E novamente na sala humilde da casa ao fim de um morro, numa área periférica de Manhumirim, um recente chato [leia-se historiador em treinamento] aproveitava seu tempo com coisas mais úteis do que textos de história. Cadência inusitada, recorte aparentemente aleatório, as caretas caricatas de Jim Carrey e as curvas sensuais de Kate Winslet me levam a outro lugar, dois finais de semanas consecutivos, dois anos depois numa sala/cozinha, com almofadas no chão. Era ver o filme, assistir ao clipe com a musica tema [Light and Day – The Polyphonic Spree], composto de cenas do mesmo filme, só que com os lábios dos atores alterados acompanhando a letra da canção, e ir ao Shopping tomar uma cerveja. Na verdade saímos eu e Larissa os dois domingos consecutivos e as outra companhias que se alteraram. E se alteraram tanto que não era mais o shopping do calçadão de viçosa, mas uma sala com uma garrafa de cachaça. E era 2010. Eu e Gusthavo discutíamos, do alto de nossa intelectualidade pouco pratica adquirida com os poucos anos de estudo, à respeito da trilha sonora do mesmo filme. Um comentário marginal. O interesse novo era Sonhando Acordado [ou The Science of Sleep no original] do mesmo diretor [Michel Gondry]. Gael Garcia Bernal saindo-se bem. Melhor do que em Diários de Motocicleta que foi um filme tipo exportação. CARAMBA, ESQUECI MEU CHÁ. COMO ESQUECI DELE EM CIMA DA MESA? E o Cine Clube Carcará completamente lotado fez meus olhos de calouro, tão acostumados as aglomerações de meia dúzia de pessoas, comuns em cidades pequenas, saltarem e se assustarem com o mundo que acabara de conhecer. Um mundo de pilastras [e pilantras], retas [e curvas etílicas], RUs [e filas quilométricas], BBTs [e minissaias pelas escadas] PVB e PVA [além do DAH], entorpecentes [lícitos ou não]…

Que as lembranças perdem o fôlego no meio desta confusão. O poder do vinho já diminui num nível insuportável e o calmante demonstra seus poderes obscuros e tão desejáveis em certos momentos. Já se aproxima uma da madrugada. Boa noite.

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Onde põe título nesta bagaça?

Também estava pensando aqui em casa, também sozinho em Juiz de Fora. Na mesma onda saudosista que move este blog (leia-se Paulo e eu), lembrei-me de duas boas histórias vividas com o elemento manhumirítico da Panela. Vou contar a primeira delas, e deixar a outra para o próximo post. Mudei de ideia. Vou contar tudo aqui.

A primeira ocasião é por nós lembrada como a festa brega da Vila em que ficamos trêbados, ocorrida em outubro de 2008. Tinha prometido pra panela feminina que eu iria na festa, já que a de 2006 foi muito bruta, e na de 2007 só compareci pra emprestar o som. Estava exausto naquela semana, cheguei em casa tarde naquela sexta feira, mas como ja tinha conseguido o traje, me vesti e resolvi ir.


Pra mim, as festas bregas são as melhores. Primeiro porque só o ato de se vestir ja é divertido. Sair na rua rumo à festa então, é simplesmente uma experiência cênica única. Depois de muitas gargalhadas em casa, na república, tomei as ruas com um rayban á meia noite e quinze, rumo à Vila. Passei pela praça, chamando a atenção de quem transitava por aquelas horas em Viçosa. Vestia uma camisa vermelha, de botões, bermuda do exército e coturno. Pra dar um brilho da vestimenta, usava um cordão que mais parecia uma medalha e os já citados óculos escuros.


Chegando na festa, fui recebido pelos amigos, que imediatamente me batizaram de Zé Mayer devido a semelhança da minha vestimenta com o personagem da novela "A Favorita" (vide foto). Cheguei tarde, mas tava todo mundo lá, Gustavo Geada, que a muito tempo não aparecia em festa nenhuma, já num nível etílitico evoluido, como de costume; Paulo Santana, vestido como um cafetão, Letícia, James, e uma boa galera da turma. Bebi aos longos goles pra alcançar a vibe da galera, mas acho que passei dela. Tanto que nem lembro do final.

Mas aproveitando o embalo do assunto festas, vou falar do final de outra festa, acontecida no fim do melhor ano da Panela, em dezembro de 2007. A tal da festa do pijama. Não apareceu quase ninguem conhecido, e teve gente que nem à caráter foi, como eu. Mas em compensação, teve gente que foi a caráter assistir aula no PVB. O elemento sofreu diversas ofensas dos colegas por tal atitude. Puro preconceito, como ele afirmava. De lá, fomos pra festa na vila.

Paulo e eu ficamos responsáveis pela lista de presença (até hoje não entendo pra que esse raio de lista serviu), anotando quem entrava e quem saía da festa. Lá pelas tantas, depois de divesas goles e copos virados em apostas, atingimos o nirvana etílico e começamos a brincar de assinar as folhas de papel que nos deram. Não satisteitos, assinavamos e selávamos a assinatura, como num cartório, jogando cerveja quente em cima.



Repare que na foto abaixo, a camisa da Escola Estadual de Manhumirim está molhada. Dá pra imaginar a lambança, o cheiro de cerveja em nossas roupas e pelo chão do pátio. Eu bebi tanto, que comecei a passar mal e pedi pras donas da casa deixarem eu tirar um cochilo rápido. [Aliás, vamos abrir parenteses, ou se preferir, colchetes, para lembrar de outra festa. Essa de tirar um cochilo rapido quando estou bêbado já me fudeu mais de uma vez. Numa festinha que teve la em casa, onde todo mundo ia pegar as vizinhas mas ninguem pegou ninguem, eu bebi demais e fui dormir na metade da festa. Me reviraram no colchão pela madrugada, mas só acordei no outro dia, com meu fiel escudeiro Paulo Santana dormindo num colchão ao pé da cama. Voltemos pra festa do pijama].

Neste cochilo rápido, a história se passou como na festa da minha casa. Só acordei no outro dia , com o Paulo ao pé da cama. Cama alias, que era de uma das meninas, fato este que obrigou duas delas dormirem juntas, numa cama de casal, uma virada pra cima e outra pra baixo, pra não ter perigo de rolar uma encoxada involuntária na madrugada. Noite traumatizante pra todo mundo.

Outra ocasião etílica digna de ser rememorada foi em nossa formatura, em julho de 2009. 1 semana inteira de festa, bebendo todos dos dias. PV ja morava em BH, e chegou em Viçosa na terça de noite, para irmos às atividades da formatura na quarta feira. Na terça, ele chegou em meio à um churrasco na casa do Wanei. Bebemos até o fiofó fazer bico e no outro dia, acordamos cedo pra ir na aula da saudade. Fomos tomar café na padaria, e ao sentar no balcão, nos deparamos com uma chopeira da Kaiser. Com a boca salivando e a conciencia assumindo seu lado mais impulsivo, decidimos por realizar um antigo sonho: beber de manhã, em dia de semana. Desde a época em que fizemos um trabalho de estágio no Anglo, e quase sentamos no shopping do Bahamas pra beber uma cerveja numa segunda feira as 9 horas, tinhamos aquela ambição de pingaiada. Pedimos 2 chopps, mas infelizmente a merda da máquina não estava funcionando. Comemos, juntamos o que tinha de vergonha na cara, e fomos pra universidade. Foi neste mesmo dia, depois do churrasco no Recanto de tarde, de um estica até o Leão no começo da noite, que o Paulo quase entrou em piripaque de tanto tomar energético na festa no Galpão.

Boas memórias etílicas. Em breve tem mais. Ainda tem o caso da mijada na cadeia em Mariana. Abraços.

terça-feira, janeiro 04, 2011

Mais uma história nada engraçada…

Estava pensando aqui em casa. Sozinho em Belo Horizonte. A solidão estimula os pensamentos saudosistas em função da rememoração de momentos que estávamos cercados de amigos. Pois agora me encontro cercado de confusões dissertativas e uma viagem para o passado no sentido de buscar momentos de confraternização etílica é uma necessidade da manutenção de minha cada vez mais reduzida sanidade.

Chatices e discursos emocionados à parte gosto de lembrar dos momentos de felicidade espontânea. Aqueles que a gente não programa e se auto-geram por meio de coincidências que fogem da nossa capacidade de compreender.

Era uma bebedeira qualquer, de um dia qualquer. Saímos eu e parte da panela feminina: Larissa, Talita e Amanda (Agregada da panela feminina). Nada de mais. Fomos no Shopping da Moda pra aproveitar mais um Domingo pouco produtivo. Como de Praxe fui à casa das meninas para buscá-las. Nada de cavalheirismo nesse ato. Nunca gostei de pessoas que se atrasam. Como todo mundo vive se atrasando, e mulheres são tendenciosamente mais atrasadas devido a questões que fogem a essa postagem, busquei as senhoritas em sua residência. De fato não era nenhum sacrifício. Gostava de andar pelo balaústre. De passar pelo cruzamento com a rua do Leão. E me agradava muito uma conversa sempre bem humorada. As conversas sempre foram bem humoradas com elas. Podia utilizar de todo meu aparato de insatisfação com a humanidade (misantropia) e levar os temas mais absurdos à pauta com uma argumentação inusitada e cheia de pompa acadêmica. Chegando lá obviamente nenhuma das três damas estavam pronta. A conversa desenvolveu-se fragmentada e desconexa até que o trio finalizou seus preparativos para o consumo de uma bebida alcoólica proveniente da cevada. Também conhecida como cerveja esse líquido já havia nos proporcionado momentos memoráveis.

O caminho até o lugar escolhido como fornecedor de embriaguez não era longo. Nada que dez minutos de uma leve caminhada, passando pelo Calçadão de Viçosa, que sucedia a Matriz, não resolvesse. Estávamos lá. Um “músico” careca e cabeludo tocava um violão. Nada de muito espantoso. Consumimos cervejas ao gosto das mulheres. Uma bela série de “Skols” regaram a conversa.

Enquanto bebíamos o liquido em cor de urina conversávamos à respeito do futuro. De como estaríamos daí um ano. Era o último ano de faculdade pra mim. Esse assunto me incomodava mais do que qualquer outra coisa. No entanto à medida que o tempo passava, e a gradação alcoólica no sangue se alterava, não importava mais o assunto. Nesses momentos, os momentos que realmente importam, as palavras não fazem mais sentido. A significância destes ultrapassa qualquer verbalização, ou pensamento, ou filosofia. São apenas sentimentos, e agora lembranças, que não tem nome, mas tem registro. E em algum lugar, de alguma forma, tornam-se atemporais pois voltar a eles torna-se um prazer melhor do que viver o presente.

Mas nem tudo é um mar de rosas quando se trata dos amigos. Pior ainda. As situações mais memoráveis são aquelas que envolvem desventuras e rupturas com relação ao pacto consuetudinário da amizade entre as pessoas. E foi isso que aconteceu. Mas antes da descrição desse fato altamente repudiável, no entanto pleno se tratando de um fato a ser contado em uma história, vale lembrar que já havíamos pedido uma música para o intrépido violeiro: Primeiros Erros (Kiko Zambianqui). O pedido foi feito por mim e pela Larissa. Ambos já não muito sóbrios. Nós dois éramos os com uma aparência mais alcoolizada e a fama de nossos hábitos ébrios adentrava inclusive no círculo dos professores do curso de História. Pedimos e o menestrel, apesar de relutante, atendeu a nossa reivindicação. Não sei se ele estava desafinado de voz ou de violão, só sei que não me recordo com boa avaliação de sua interpretação hesitante e estilhaçada. De qualquer forma a tal musica, se bem me recordo, tornou-se a musica oficial do grupo.

Este fato engraçado não foi o auge da noite como já adiantei. O consumo de cerveja leva a idas constantes ao banheiro. Larissa e Amanda se ausentaram da mesa com este fim. Ficamos eu e Talita sentados lá. Não lembro o assunto. Nem o porque dos movimentos bruscos das mãos daquela mulher. A única coisa que sei, e que recordo com uma certa raiva, é que seu braço atingiu violentamente a garrafa ao centro da mesa. Até aí tudo bem. Acidentes acontecem. Esse não era um acontecimento catastrófico que nossas possibilidades financeiras não pudessem arcar. Nossas condições financeiras permitiam que essa garrafa fosse derrubada. E, infelizmente, nossos laços de amizade permitiram com que eu fosse acusado da repentina queda da dita garrafa. Após o acidente, e ainda com as ausentes ausentes, espalhei uma série de guardanapos pela mesa. Não resolveram muita coisa. Bêbado tem umas ideias meio fora da realidade. Por isso comecei a secar a mesa com minha blusa. Acho que faltou pouco para que um de nós não lambesse a mesa. As ausentes retornaram e nos indagaram à respeito do que havia acontecido. Quando abri a boca para uma explicação fui interrompido por um olhar endemoniado da loura criminosa. Era um misto de olhos de criança arteira e político negando desvio de verga. “Foi o Paulo.” Não me importo de fazer as coisas erradas, as escolhas erradas e as manobras políticas erradas, mas ser acusado de uma proeza que não fiz foi encarado por mim como algo muito agressivo. Tão agressivo que as palavras faltaram no momento e minha resposta foi um abrir e fechar de boca com emissão de grunhidos, acompanhados de gesticulação intensa. O resultado? Para as ausentes agora presentes uma confissão de culpa. Pra loira criminosa a sagração de seu golpe contra minha imagem. E pra mim? Acho que foi o início das crises de pânico. Perdido ali, no meio de falsas acusações e da maquinação de uma mende demoníaca, estava só eu e minha consciência. Só me restava beber mais. E bebemos.

No fim das contas Talita assumiu que foi ela. As ausentes assumiram que não haviam acreditado que havia sido eu. E eu? Eu aprendi amigos agindo como seus piores inimigos é o sinal da verdadeira amizade, ou de sacanagem mesmo.

segunda-feira, setembro 13, 2010

Recordo de alguns acontecimentos do segundo semestre de 2007. Já faz algum tempo mas algumas coisas foram marcantes. Acho que se pensarmos de diferentes perspectivas, direcionando nosso foco para qualquer um dos indivíduos que compunham nosso círculo de amizade chegamos a conclusão que foi o momento crucial que cada membro da panela se definiu não só enquanto profissional, mas como a pessoa que é hoje.
Claro que traçar a trajetória de cada um ou mesmo do grupo seria válido para entendermos parte dessa metamorfose que toda a humanidade passa durante a vida, no entanto seria chato pra caraleo, então foda-se.

Cabaret”
Em meio a toda essa confusão as piadas se acumularam. Nosso companheiro calvo ficou cada vez mais refinado nas imitações e na maneira como vivia sua vida de forma caricata, porém original. Quem não se lembra a maneira totalmente própria dele de ir a festas de agroboys acéfalos (perdão pela repetição, agroboys sempre são acéfalos, é um pré requisito da tribo), fazer caridade, ou aproveitar a vida como ele gosta de dizer? Enfim, apesar dos pesares a sua presença sempre foi algo a se notar. Lembro muito bem de uma festa que fomos juntos. Aliás, foram várias e com acontecimentos específicos e “originais”. Houve uma chamada “Cabaret”, cuja temática era a vida em bordéis. Imaginem as vestimentas sugestivas dos que dela participaram? Um desfile de tchutchucas com roupas lascivas, tudo regado a muita Bohemia e doses e mais doses do mais legítimo e autêntico whisk paraguaio. Eu, o calvo e nosso amigo China fomos e de repente nos vimos em meio a pista dançando uma música da tribo dos doidões. Nosso camarada oriental, já muito bem ambientado ao ritmo trance começou a movimentar-se freneticamente e pronunciar palavras que demonstravam sua satisfação com relação ao som pulsante: “Isso aqui é minha vida meu brother.”
Fui como escolta de uma amiga nossa que não devo citar o nome, mas consideremos hipoteticamente que ela estivesse vestida a caráter. Digamos que seus atributos físicos privilegiassem a utilização de saias não tão 'minis'. Felizmente para os marmanjos presentes a ousadia combinada com ingenuidade permitiu que apenas um palmo de tecido descesse da cintura e mau atingisse a metade da suas fartas cochas. Claro, tudo isso hipotético, afinal ela não fez isso. Mas que teria provocado até lágrimas causadas por agonia e felicidade pela dita visão.
Estavam lá também uma loira conhecida nossa e uma morena. A morena especificamente não fez muita coisa além de jogar seu charme sobre um caboco de gola polo dispensando mais comentários, ao passo que a loira, não se sabe detalhadamente o que ela bebeu, mas desembocou em um surto de ânsia de fazer amizades. Ao fim da festa, cercada por amigos que ela conheceu horas antes, negou nossa companhia de retorno a sua casa.
Aparentemente não aprontei muito no Cabaret. Ao menos nada que deva ser lembrado, ou algo que me lembre. Apenas, como toda festa com boa bebida e boas companhias, momentos de encontro com os amigos que ficam em nossa mente e funcionam como máquinas do tempo e nos levam ao passado por meio da memória dos cheiros, sons, texturas, imagens e sabores.

sábado, agosto 28, 2010

O Blog da Panela volta à ativa com uma retrospectiva do vivido mas não publicado. Vamos começar relembrando o primeiro semestre de 2007. Período de consolidação da panela, os 6 primeiros meses daquele ano foram de muitas aventuras alucinantes pra essa turminha do barulho.

Ainda viviamos aquele calendário letivo bizarro, por conta da greve de 2005. O ano de 2007 começou como continuação do período de 2006, com apenas uma pausa de 3 semanas para natal e ano novo, recomeçando a labuta em 15 de janeiro. Nestes 21 dias, um amigo nosso conseguiu arrumar briga numa boate em Didivinópolis, o que lhe rendeu algumas piadas de nossa parte e uma amolação sem precedentes, porque ele resolveu processar o pé rapado que bateu nele. Quando voltou pra Viçosa, terminou o namoro. Aí ele sofreu de amor como nunca dantes, e quem pagou o pato? A panela. Fazer trabalho com ele era complicado. "Não tenho tempo, estou muito ocupado". "Preto vem aqui, preciso reclamar da vida pra alguém". "Oe, me ajuda, me ajuda." Começou a ter medo de um professor, e quando ele sacudia as calças e dizia: "Porque a América LATIIIIIINAAA..." , nosso companheiro se desesperava, saía da sala e falava: "Vem atrás de mim que eu to com pressão psicológica". Tempos difíceis, de longas conversas motivacionais nas 4 pilastras.

Há de se lembrar, a calourada mais fracassada da história (do curso e/ou da existencia humana) aconteceu neste mesmo ano. Tão indigna que não merece nem que prolonguemos o assunto.

Teve tambem a fundação oficial da panela feminina, como um capricho do acaso. Na ocasião do aniversário da Kenia, fizemos uma reunião lá em casa e as meninas acabaram aparecendo por lá. Nunca antes cercado por mulheres bonitas, aquela ocasião foi muito representativa pra panela, chamada agora de panela masculina. Dali em diante, elas passaram a ser grandes companhias pra muitas coisas que faziamos. E grandes amigas.

Foi assim na viagem a Ouro Preto. Naquele semestre, ralamos numa disciplina de prática de ensino de míseros 2 créditos como se não houvesse amanhã (pausa para uma interlocução: uma vez bebi uma long neck antes de ir pra esta aula, os caras sentiram o cheiro exalando no ar e me chamara de alcoolatra). Fizemos uma viagem pra cidade colonial, muito marcante pra todos nós. Primeiro porque o Paulo passou mal pra diabo no busão. Busão que não tinha banheiro e quase fez o Bolívar mijar na garrafa PET. Teve ainda o Didi cantando Something versão zezé di camargo e falando: " aaiii professssora, não to entendendoo" e "Porque América LATIIIIINAAA" (ele ja começava a resignificar o trauma).

Houve ainda a ocasião do "pedaço de bolo" no aniversário do Paulo. A kenia fez uma festinha no alojamento, com direito a chapeuzinho, balão e tudo mais. Todos confraternizando, felizes e contentes, até o Paulo resolver dar o primeiro pedaço de bolo. " Não sei pra quem eu dou o primeiro pedaço...". Uma voz do fundo diz: "Dá pra miiiimmmm!!" A resposta: "Nãooo! Voce perdeu a chance de ter este pedaço há 1 mes atrás!". Depois de muita zoação, o primeiro pedaço de bolo foi pro cara estranho que o aniversariante conheceu no dia da matricula: eu. Fiquei muito emocionado de ser o cara estranho.

O primeiro semestre de 2007 foi de muita bebedeira. As reuniões na vila, embaladas por porções gordurosas tornavam-se frequentes, gerando revoluções intestinais em todo mundo no dia seguinte. E ressaca né, claro. Alguns de nós desbundava ali mesmo, obrigando as donas da casa dividirem uma cama de solteiro.

E por falar em ressaca, um dos maiores vexames do meu tempo de viçosa foi justamente no fim deste período. No tradicional Leão de despedida do semestre, eu, Kenia, Luana e Paulo fomos lá beber algumas. Naquele tempo o Leão ainda vendia Bohemia e Brahma Extra a R$3,00, e tinha musica ao vivo no espaço da frente, fazendo a alegria da galera. Eu, muito empolgado, enxi a cara sentado no giroflex, e quando levantei, o mundo começou a girar. Virei uma cerveja inteira que o paulo tinha acabado de comprar (ele me cobra ela até hoje) e tive que voltar pra casa rebocado.

Era o fechamento com chave de ouro. Mas muita coisa ainda ia acontecer naquele ano. O segundo semestre é a pauta do proximo post. Até lá!

quinta-feira, agosto 26, 2010


Tempos idos que não voltam. Boas lembranças. Memórias de um passado, semente do que somos hoje. Muita coisa mudou. Muita. Mudamos de ideias, de namoradas, de gosto musical, de cidades, de visual. Não, de opção sexual não. Nos formamos, começamos mestrados, entramos no mercado de trabalho. Eu, talvez emocionalmente o mais boiola dos 5 (o didi é o mais boiola nos outros quisitos), fiquei muito saudosista quando ontem de noite, lendo blogs no computador, despretenciosamente, fui parar em nosso antigo blog. Inúmeras gargalhadas ao reler cada post, lembrar de cada situação, cada sensação, cada caso vivido na época. E como nossa amizade foi boa em todos estes anos de Viçosa! E se mantem boa, mesmo morando em 4 cidades diferentes. Muitas historiais foram vividas e não contadas. Já que o papel do historiador é contar história, resgatar a memória, estamos aqui de volta pra desempenhar isso, sem linguagem burocrática, acadêmica. Sem orientador pra amputar nossa veia literária e criativa. Podendo cometer erros de ortografia a vontade.
Isso aí Panela! Estamos de volta à ativa!
Saudações.

"Prepara uma avenida/que a gente vai passar"

finalmente, após anos na ausência para nossos espectadores (uma meia dúzia de pessoas que a gente cobrava como leitura obrigatória) nosso blog vai voltar como mais um meio de expressarmos nossas idéias e impressões sobre a vida. não vou me delongar aqui com uma série de piadas baratas. vou sim. estava com saudade desta escrita descompromissada voltada pra gente minha.

como andam as coisas? seria mais interessante pensarmos como andaram as coisas nestes 2 anos e meio de ausência. é difícil definir quem mais mudou durante esse tempo. aparentemente todos tiveram que escolher caminhos distantes. nossas responsabilidades aumentaram e o pior de tudo, em cada esquina de bh, juiz de fora, rio de janeiro ou viçosa a possibilidade de nos encontrarmos é ínfima. sabe quando precisávamos de conversar uns com os outros, seja pra falar daquela tchutchuquinha, seja pra contar como se foi mau na prova do jonas, ou mesmo só pra jogar conversa fora e beber aquela guegueja no bar do leão e sair de lá fedendo a cigarro e outros tóxicos diferenciados sem te-los consumido? isso não existe mais. tal contexto está separado por quilômetros de muito chão, as vezes em estados litorâneos ou em magníficas capitais do interior de nosso estado.
felizmente o meio social serve que serve de condicionante tanto para comportamentos bons, quanto ruins. e da mesma forma que uns de nós já usaram a cantada "fica comigo senão eu pulo daqui", ou chamaram o professor de "metódico" em justificativa para um aumento de nota, já até atravessamos uma cidade histórica em busca da igreja católica específica que um crente se sentiria a vontade, deixamos cair na reta aquele salgado que foi comprado com nosso dinheiro as 10 da noite no dce antes do nosso ensaio do teatro, enfrentamos festas onde nossas nádegas foram expostas para os seguranças e ainda assim nos sentimos satisfeitos. Fomos muito estranhos e um pouquinho da estranheza de cada um acabou passando para os outros do grupo. aí a distância não importa mais. porque como podemos negar que ficamos menos religiosos, mais religiosos e menos religiosos de novo? ou que a safadeza, essa sim e num bom sentido, invadiu a todos em todos os niveis possíveis? agora quem é da panela sabe que é da panela não mais porque anda com fulano ou ciclano, mas porque de alguma forma tem dentro de si uma parte que foi alterada por causa da convivência.
ainda tivemos uma série de agregados. sem sombra de dúvida a panela feminina foi nossa mais fiel companhia. hoje como arroz integral, uso adoçante, corto o cabelo bem baixinho todo mês, não tenho mais camisas gola polo e não tenho mais tanto medo de abraços por causa dessas meninas. e pensar que um de nós uma vez me perguntou porque tanto eu andava com elas. e outros foram importantes: passa essa batata aí, tijolo de furinho, tá bom?, poco não... tudo uma cambada de gente boa que contribuíram muito pra nossa sobrevivência longe de nossos pais e formaram nossa família, grande família, por pelo menos 4 anos.
pra terminar, será feito daqui pra frente, um retrospecto de fatos marcantes, e memoráveis, que ocorreram durante esse hiato do blog. a primeira postagem surgirá no sábado. contribuam com comentários relativos a importantes ausências fotos e coisas que acharem que passou da conta. no mais é isso aí, a vida é assim. cada vez mais complexa porque a gente complica ela.


quinta-feira, julho 19, 2007

O RETORNO

AGUARDEM, BREVEMENTE NOVAS INFORMAÇÕES

ESTAMOS NOVAMENTE NO AR E COM UMA NOVA LINHA EDITORIAL